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Cartas de controlo: quando recalcular limites de controlo?

As cartas de controlo são essenciais, quer na identificação de tendências que prejudicam os processos produtivos, quer na tomada de decisão sobre as medidas corretivas adequadas, sendo uma das técnicas mais utilizadas na indústria para controlar a estabilidade dos processos.

Este tipo de gráficos determina estatisticamente uma faixa, denominada de limites de controlo, limitada por uma linha superior (LSC) e uma linha inferior (LIC), e com uma linha central (LC), que representa a média. O objetivo é verificar de forma visual e intuitiva, através do gráfico, se o processo está sob controlo, ou seja, se o processo está isento de causas especiais.

Quando recalcular os limites de controlo?

Os Limites de Controlo são, tipicamente, calculados no início do processo produtivo após a aquisição de entre 5 a 20 pontos de dados, ou seja, 5 a 20 amostras no caso das cartas Xbar-R ou pontos individuais em cartas X-MR.

Caso o processo já tenha um histórico produtivo, com centenas de amostras sem Limites de Controlo, devem ser selecionadas entre 20 e 50 amostras mais recentes para realizar o cálculo dos Limites de Controlo.

Após este cálculo inicial, os Limites de Controlo devem ser fixados no processo. O fixar dos Limites de Controlo permite-nos avaliar a estabilidade do processo ao longo do seu ciclo de vida, permitindo a fácil identificação das causas de variação no processo.

Idealmente, os Limites de Controlo apenas necessitam de ser recalculados quando existe uma alteração fundamental no processo, com vista à melhoria do mesmo ou cumprimento de novos requisitos (quer de qualidade, quer de negócio), como por exemplo, a introdução de novas matérias primas ou a substituição de um equipamento.

Durante o período de avaliação da alteração efetuada no processo, os Limites de Controlo utilizados deverão ser os definidos no processo antes da mesma.

A manutenção dos mesmos Limites de Controlo permitirá constatar se a alteração preconizada teve o impacto desejado.

Analisemos um exemplo simples abaixo, duma linha de enchimento onde alteraram os bicos de enchimento, com vista à melhoria global do processo de enchimento:

Como se observa na Carta X acima, ocorreu uma alteração significativa no processo na Amostra 20. Esta alteração resultou na redução significativa da variação no processo, tendo também reduzido a média do mesmo.

Confirmado o efeito pretendido, devem-se calcular os novos Limites de Controlo tendo em conta apenas as novas amostras.

Como se pode observar na Carta X acima, após o recalculo dos Limites de controlo, a alteração ao processo levou ao estreitamento dos Limites de Controlo.

A partir deste momento, o processo deverá utilizar os novos Limites de Controlo.

Os Limite de Controlo podem ainda ser alterados caso o processo apresente causas de variação especiais que não consigam ser identificadas e corrigidas. No exemplo que se segue, o processo apresenta causas de variação especial que não podem ser identificadas, tendo-se recalculado os Limites de Controlo na Amostra 15.

Nestes casos, apenas se deve avançar para o recálculo dos Limites de Controlo quando forem esgotadas todas as possibilidades de identificação e correção das causas de variação especiais.

Em resumo:

– Os Limites de Controlo podem ser calculados no início do processo produtivo com 5 a 20 amostras.

– Os Limites de Controlo devem ser recalculados quando existe uma alteração fundamental no processo, ou quando existem causas de variação especiais que não podem ser identificadas e/ou corrigida.

– Após uma alteração fundamental ao processo, devem ser mantidos os Limites de Controlo de forma a avaliar a alteração e apenas depois recalcular os mesmos.

Rui Silva

Licenciado em Engenharia Informática e Comunicações, pela Escola Superior de Tecnologia e Gestão do Instituto Politécnico de Leiria.
De 2005 a 2007, participou no projeto e-U e no Leiria Região Digital do IPLeiria.
Em 2007, integra a Direção de Serviços Informáticos do IPL, como coordenador da Unidade de Planeamento e Controlo (UPC).
Em 2013, conclui a Pós-Graduação em 6 sigma ao nível de Black Belt pelo IPL e, em janeiro de 2014, integra a equipa da Sinmetro, na qualidade de Consultor Sénior em Lean/6Sigma e gestor de projetos.

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