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Checklists na indústria de moldes – Como, quando, onde e porquê?

As checklists, ou listas de verificação, são dos instrumentos/metodologias mais utilizados no mundo da qualidade e têm como principal objetivo a redução sistemática de erros ou falhas. São utilizadas de forma transversal em várias áreas de atividade. A indústria de moldes, dada a natureza da sua produção é um ótimo candidato à utilização de checklists.

Ao longo deste artigo pretendemos apresentar as tipologias de checklists cuja implementação trará maiores ganhos à indústria de moldes.

1. O que são checklists?

As checklists, ou listas de verificação, são dos instrumentos/metodologias mais utilizados no mundo da qualidade.

São uma lista de itens pré-estabelecidos, que devem ser verificados, com o intuito de certificar as condições de um serviço, produto ou processo, garantindo assim que todas as etapas e/ou itens foram cumpridos de acordo com o planeado.

O principal objetivo da utilização de checklists é a redução sistemática de erros ou falhas.

A sua utilização compensa os limites da memória, da atenção humana, e o preconceito humano de pensar que se podem saltar passos, mesmo que nos lembremos deles, garantindo o cumprimento de todos os itens de forma consistente, bem como a integridade na execução das tarefas.

1.1. Principais vantagens

De entre as várias principais vantagens da utilização de checklists, destacam-se:

– Reduzem os erros ou falhas de forma sistemática e consistente;

– Reúnem o conhecimento empírico e tácito de várias pessoas integrantes do processo;

– Forçam a verificação de todos os itens listados, evitando esquecimentos ou lapsos;

– São independentes do nível de conhecimento da pessoa responsável pelo preenchimento;

Padronizam um processo/procedimento de verificação, facilitando o acompanhamento e avaliação do desempenho ao longo do tempo;

– São um bom ponto de partida para iniciativas de melhoria continua, focadas nos itens da que mais erros apresentem ao longo do tempo;

– Se utilizadas em pontos intermédios no processo, podem reduzir substancialmente o retrabalho e tarefas de valor não acrescentado.

1.2. Desvantagens

Por outro lado, quando é feita uma utilização massiva das checklists poderão surgir algumas desvantagens.  Apresentamos alguns exemplos:

– A padronização excessiva do processo/procedimento de trabalho, pode prejudicar a criatividade do trabalhador ao lidar com problemas cujo tempo de reação seja crítico;

– Por vezes, podem ser utilizadas como substitutas do bom senso. Se um problema aconteceu, mesmo não estando descrito nas checklists, este deve ser resolvido e não esquecido/ignorado;

– A avaliação de cada item é puramente qualitativa, dependendo de quem está a preencher;

– Dificuldade em distinguir impactos diretos/indiretos em cada item.

Para ultrapassar as desvantagens no uso desta metodologia, sugere-se que exista um plano de formação compreensivo, focado no processo / procedimento, nas próprias checklists e também em técnicas e metodologias de resolução de problemas.

2. Onde são usadas?

As checklists são utilizadas de forma transversal em várias áreas de atividade.

Dois dos exemplos frequentemente publicitados são o da aviação e o da medicina.

Na indústria produtiva, podemos encontrar inúmeros exemplos da utilização de checklists, independentemente do grau tecnológico das mesmas, desde, p. ex. a indústria manual de peças cerâmicas até à indústria de produção de “wafers” de circuitos de computador.

A indústria de moldes, dada a natureza da sua produção é um ótimo candidato à utilização de checklists, tendo em conta que:

– a sua produção é baseada em operações atómicas, realizadas por diferentes operadores e equipas, com uma sequência pré-definida. Neste aspeto a utilização de checklists evitará erros nos processos intermédios e eliminará a necessidade de retrabalho em etapas posteriores, como p. ex. na etapa de montagem do molde, aumentando a produtividade global da empresa;

– o seu sucesso depende fortemente do cumprimento das especificações do cliente, curtos prazos de entrega e preço competitivo, contribuindo a utilização de checklists para a melhoria sistematicamente todos estes fatores críticos de sucesso.

Podemos, assim afirmar que a introdução de checklists no processo de fabricação de moldes, potenciará:

– O cumprimento dos requisitos do cliente;

– A redução do retrabalho;

– O aumento da produtividade global;

– A redução do lead time de produção.

3. Tipos de checklists

Existem vários tipos de checklists que são utilizadas todos os dias, em todo o mundo.

Vamos focarmo-nos apenas nas checklists cuja implementação trará maiores ganhos à indústria de moldes.

(3.1) Checklists de processo

Este tipo de checklists mimetizam as instruções de trabalho e/ou o procedimento que o operador deverá seguir na execução do seu trabalho.

Pelo seu valor nos processos formativos de novos operadores, podem ser usadas para garantir a “estandardização” dos processos e procedimentos de trabalho.

A título de exemplo:

– Passos de configuração de uma máquina (CNC, CMM, etc.…)

– Passos para o registo de horas e/ou afetação diária de um operador.

(3.2) Checklists de controlo de produção

Deverão ser feitas sempre que a peça trabalhada passa para uma outra equipa.

Poderão ser utilizadas antes de iniciar o trabalho de uma equipa para garantir que as operações apenas prosseguem se todos os requisitos das mesmas estiverem reunidos.

A título de exemplo:

– Quando uma peça trabalhada pela secção de erosão passa para a bancada.

– Antes de se iniciarem os ensaios dos moldes, de forma a garantir que o molde foi montado de acordo com o projeto, e os seus componentes individuais testados.

(3) Checklists de auditoria

Este tipo de checklists são utilizadas para fazer o controlo e/ou avaliação do cumprimento de itens/etapas em pontos específicos do processo.

Tipicamente efetuadas após o trabalho já estar concluído, ou seja, numa fase de auditoria, como o próprio nome indica.

Este tipo de auditorias é comummente realizado por pessoas externas ao processo produtivo, garantindo assim um elevado nível de independência e objetividade.

A título de exemplo:

– Auditorias da qualidade (ISO 9001, ISO 16649, OSHAS, HACCP).

– Auditorias de compliance da documentação do molde.

(4) Checklists de Manutenção

Tipicamente são realizadas pela equipa de manutenção da fábrica com vista a proporcionar um ambiente produtivo sem falhas inesperadas.

Podem, e devem, ser extensamente aplicadas no âmbito manutenção preventiva, adequando cada checklist ao equipamento específico.

A título de exemplo:

– Manutenção do sistema de ar comprimido

– Manutenção da CNC.

O objetivo das checklists é evitar o erro, não é escondê-lo!

Rui Silva

Licenciado em Engenharia Informática e Comunicações, pela Escola Superior de Tecnologia e Gestão do Instituto Politécnico de Leiria.
De 2005 a 2007, participou no projeto e-U e no Leiria Região Digital do IPLeiria.
Em 2007, integra a Direção de Serviços Informáticos do IPL, como coordenador da Unidade de Planeamento e Controlo (UPC).
Em 2013, conclui a Pós-Graduação em 6 sigma ao nível de Black Belt pelo IPL e, em janeiro de 2014, integra a equipa da Sinmetro, na qualidade de Consultor Sénior em Lean/6Sigma e gestor de projetos.

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