Artigo, Produtividade

Como ter tempo para tudo (o que é importante!)

«Não tenho tempo.» Quantas vezes pensa ou verbaliza esta frase por dia? Cada um dos nossos dias tem 24 horas, 1440 minutos, 86 400 segundos, 86 400 000 milissegundos. Nem mais, nem menos. Contudo, são muitos os dias em que nos queixamos da famosa falta de tempo. Conheça, neste artigo, algumas estratégias práticas para ter tempo para tudo (o que é importante).

Tempo para nos dedicarmos mais aos projetos importantes de âmbito profissional, tempo para a família, tempo para nós, tempo para realizar uma atividade que nos dê prazer, e por aí em diante… No entanto, todos conhecemos pessoas cujos dias parecem esticar e permitir que consigam fazer tudo o que precisam para cumprirem com as suas obrigações profissionais e familiares, sim, mas também para fazerem o que gostam, seja praticar desporto ou dedicar‑se a um hobbie.

Vivemos dominados por listas de coisas a fazer imensas e obcecados por fazer mais em menos tempo, sermos mais produtivos e mais eficientes, sermos, como lemos e ouvimos dizer tantas vezes, «a nossa melhor versão».

Pois bem, não quero desiludi-lo: super-homens e supermulheres não existem na realidade, apenas na ficção. O nosso tempo é finito. Cada um de nós tem exatamente os mesmos segundos, minutos e horas por dia: 24 horas, 1440 minutos e 86 400 segundos.

Com esta consciência de que é finito, pelo ritmo acelerado do mundo em que vivemos, em que impera o fazer mais e mais rápido, urge parar para pensar no que é realmente importante para cada um de nós.

Este é o objetivo deste artigo: um convite para que pare e reflita sobre o que é realmente importante para si.

Quer ter tempo para tudo o que é importante? Então, faça uma Gestão Consciente do seu Tempo.

A Gestão Consciente do Tempo é uma gestão do tempo com propósito, ao seu ritmo e com respeito pelos seus limites. Trata-se de agir em vez de reagir.

Gestão de tempo: Como ter tempo para tudo (o que é importante!)

É o resultado de uma equação na qual fazem parte vários fatores:

1. A minha identidade pessoal: propósitos, valores e papéis sociais

Pare, por momentos, e reflita.

Como seres humanos que somos desempenhamos vários papéis sociais que se distribuem pelas nossas esferas de vida: pessoal, familiar e profissional.

Embora a esfera profissional ocupe a grande fatia do nosso tempo, logo a seguir a dormir, nós não somos apenas profissionais. Não é apenas a nossa identidade profissional que nos define. Desempenhamos outros papéis sociais que são igualmente importantes para nós e que são um fator preditor para a nossa satisfação com a vida e, consequentemente, a nossa felicidade.

Vejamos, eu Sofia sou mulher, mãe, esposa, filha, irmã, voluntária, investigadora e consultora na área da Gestão Consciente do Tempo.

Todos estes papéis são importantes para mim. Para eu estar satisfeita com a minha vida eu necessito de ter tempo para mim (eu, autocuidado), para estar com os meus filhos, com o meu marido, com os meus pais, com o meu irmão, para participar nas minhas ações de voluntariado e para o meu trabalho.

Pare e reflita: quais são os papeis sociais que valoriza e são importantes na sua vida? Qual o tempo que tem dedicado a cada uma das suas esferas de vida? Qual o seu grau de satisfação com esse tempo?

2. Ritmos e limites individuais

Vivemos num mundo frenético, ditado pela velocidade. Fazer mais em menos tempo.

Esta é a realidade atual de muitas pessoas:

– Na esfera profissional os dias são cada vez mais longos e insuficientes para fazer face a todas as tarefas. Impera o culto da produtividade e eficiência.

– A esfera familiar fica «empurrada» para segundo plano, fins de dia e fins de semana.

– E a esfera pessoal é negligenciada: damos conta que o tempo passa, as semanas vão passando e não temos tempo para nós.

Como já disse, tal como o tempo, também há um limite para tudo o que podemos consumir e produzir.

Cada um de nós tem ritmos e limites diferentes. Não somos todos iguais. Para atingir um determinado objetivo uns precisam de mais tempo e outros menos.

Fazer mais em menos tempo, o multitasking, é uma ilusão poderosa e o nosso cérebro não está preparado para a multitarefa. Pensamos que estamos a ser mais eficientes, mas na verdade estamos a saltitar de tarefa para tarefa como se estivéssemos a fazer malabarismo com bolas. Menos eficiência e maior probabilidade de erro, são apenas duas das suas consequências negativas.

E nesta urgência do fazer, muitas vezes esquecemo-nos das nossas «grandes pedras», i.e. do que é realmente importante. Se dermos prioridade ao que é importante, haverá sempre tempo para tudo o resto, até mesmo para o circunstancial.

E o que se enquadra neste quadrante da importância:

– os nossos relacionamentos pessoais positivos (família, amigos, …)

– o nosso trabalho

– a nossa saúde (alimentação, sono, exercício físico)

– as atividades que nos dão prazer e que nos conduzem a um estado de flow.

A ausência de limites ou fronteiras claras impede que dediquemos tempo ao que é realmente importante para nós.

Que tipo de limites podemos definir?

– Definir um horário de trabalho;

– Estar offline em alguns momentos do meu dia, com um determinado objetivo (p.e. escrever um relatório, estar verdadeiramente presente com os meus filhos);

– Parar antes de tomar uma decisão (é a diferença entre agir e reagir): «preciso de tempo para pensar»;

– Definir um horário para dormir e acordar;

– Definir momentos de pausa conscientes ao longo do dia.

Os limites devem ser bem definidos e devem ser firmes. Por isso, às vezes, é necessário dizer não: um não firme e gentil.

Permita-se conhecer e respeitar o seu ritmo e os seus limites.

3. Flexibilidade

A nossa vida é curta e não conseguiremos controlar tudo, todos os fatores.

Ser flexível é ser capaz de lidar com vários desafios sem perder o foco nos objetivos definidos.

Perante os vários estímulos externos a que estamos sujeitos é este mindset flexível que permite manter o foco no que é importe.

Não podemos prever os imprevistos. Eles vão sempre acontecer. Contudo, quando temos bem definidos os nossos objetivos é mais fácil lidar com estes desafios sem perder o foco.

A flexibilidade é como o GPS que encontra um caminho alternativo para chegar ao nosso destino.

Como podemos desenvolver um mindset positivo e flexível:

1.  Aceitar os contratempos e as mudanças.

2. Não encare os contratempos ou mudanças como erros ou fracassos. Foque-se antes na aprendizagem e valor acrescentado que esses contratempos podem trazer à sua vida.

3.  Adote uma postura confiante e persistente.

4. Envolva outras pessoas face a uma situação desafiantes. Partilhe as suas preocupações e soluções.

7+1 estratégias práticas para ter tempo para tudo (o que é importante!)

1. Pare e contrarie a vida em modo piloto automático. Viva o momento presente. Comece com pequenas e simples atividades (lavar os dentes, ouvir música, comer, caminhar).

2. Pare e reflita sobre a sua identidade: quais são os seus valores e propósitos; os seus papéis socias. Valorize e nutra os papéis sociais importantes da sua vida.

3. Permita-se conhecer o que faz com o seu tempo – crie um diário e registe todas as atividades. Durante, pelo menos, três dias.

4. Dedique tempo a conhecer os seus ritmos e limites. Defina os seus limites.

5. Faça uma coisa de cada vez.

6. (Re)conheça os sabotadores internos e externos do seu tempo. Encontre estratégias para os evitar e tenha isso em conta no seu planeamento.

7. Faça um planeamento consciente do seu tempo: defina qual o período de tempo para a esfera pessoal, profissional e familiar. Determine blocos de tempo para tarefas, em função do seu ritmo e limites. Faça pausas conscientes ao longo do dia e entre tarefas (o que permite repor energia e contrariar o piloto automático). Nas pausas opte por realizar tarefas que gostem e lhe promovam prazer.

+ 1. Aceite que vive num mundo em constante alteração. Cultive um mindset flexível e positivo e seja gentil consigo se algo não correr como esperava.

Pode encontrar cada uma destas estratégias práticas, de forma mais aprofundada, no meu último livro: «Como ter tempo para tudo», da Editora Manuscrito. Desafie-se.

Sofia Pereira

Fundadora da Academy4you e da Academia pais Sem pressa e autora do conceito de “Gestão Consciente do Tempo”.

Autora dos livros: «Como ter tempo para tudo», pela Manuscrito Editora e «Slow: 50 Exercícios para desacelerar».

Presidente do Slow Movement Portugal.

Pós-graduada em Liderança Positiva e Felicidade 5.0, Happiness Manager certificada pela Happiness Business School. Certificação Internacional em Coaching Neurolinguístico. Educadora parental em Disciplina Positiva, certificada pela Positive Discipline Association – EUA. Certificação em Inteligência Emocional e Social. Professora de Mindfulness e meditação. Formadora certificada. Experiência em Coordenação de equipas. Experiência como Docente no Ensino Superior. É licenciada em Serviço Social, Pós-graduada em Análise e Intervenção Familiar e Sistémica, pela Faculdade de Psicologia da Universidade de Coimbra.

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