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Desperdício Alimentar na Indústria: como superar o desafio?

A sustentabilidade e a gestão de resíduos são dois temas que surgem cada vez mais na ordem do dia. O desperdício na indústria alimentar é um tema impactante ao nível da segurança alimentar e da produtividade. Descubra, neste artigo, os impactos associados ao desperdício de alimentos e saiba como eliminar as ineficiências nas cadeias de abastecimento, prevenindo a ocorrência de desperdícios.

Desperdício alimentar e desafios da segurança alimentar

Segundo a Direção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV, 2020) “Uma das principais fontes de desperdício alimentar é a produção em excesso e atualmente, o melhor destino, que garante o aproveitamento mais nobre, é a sua redistribuição para consumo humano. Nesta situação, o desafio é o de garantir a segurança dos alimentos, tendo atenção aos procedimentos e condições de higiene, de manipulação dos alimentos, que podem alterar o produto e provocar doenças, tais como Toxinfeções Alimentares”.

Esta perspetiva demonstra a necessidade de manter os níveis de exigência na segurança alimentar, bem como os custos associados e a eficiência no processo.

Para uma melhor rentabilidade e redução do desperdício, deve ser a limitada a produção de excedentes alimentares nas várias fases da cadeia de abastecimento alimentar: produção, transformação, distribuição e consumo.

A pressão para reduzir o desperdício alimentar na indústria continua a aumentar!

Nos últimos anos foi possível assistir ao aumento da pressão sobre a indústria, e também junto dos próprios consumidores, para tentar colmatar este desperdício, transformando o modo como os alimentos são produzidos e consumidos em todo o mundo.

Desperdício Alimentar na Indústria

As perdas são um problema mundial. De acordo com a Organização para Alimentação e a Agricultura (FAO), cerca de 1/3 dos alimentos produzidos no Mundo são perdidos ou desperdiçados em alguma fase da cadeia alimentar. No caso da União europeia, desperdiçam-se quase 59 milhões de toneladas de alimentos todos os anos.

Os grandes objetivos propostos são:

Reduzir a pegada ambiental dos sistemas alimentares;

Reforçar a resiliência contra as crises;

Continuar a garantir bens alimentares saudáveis, a preços acessíveis;

Garantir a disponibilidade de alimentos na atualidade e também para as gerações futuras, respeitando os limites do planeta.

Relembrando a segurança alimentar como prioridade, os principais objetivos são:

1) Reduzir as perdas e o desperdício alimentares;

2) Combater a fraude alimentar ao longo da cadeia de abastecimento.

Principais causas de desperdício alimentar na Indústria

Em toda a cadeia alimentar, desde a produção agrícola à distribuição ao cliente, existe desperdício com perdas de produtividade e de matérias-primas. As principais causas de desperdício alimentar na indústria centram-se em:

– Procedimentos inadequados de manipulação;

– Incorreta gestão da rede de fornecedores de distribuição;

– Erros no armazenamento de produtos;

– Falhas nos processos de inspeção;

– Ausência de procedimentos e de métodos de controlo da qualidade.

Como combater este desperdício alimentar?

Com uma melhor gestão do processo produtivo é possível reduzir o desperdício alimentar na indústria quase a nível zero, tendo por base uma boa gestão de matérias-primas, do processo e do funcionamento do equipamento.

Segundo a DGAV, (2020): “As principais áreas de oportunidade para prevenir e reduzir o desperdício alimentar neste setor são a melhoria das práticas de transformação, a procura de soluções de embalagem inovadoras, a oferta de porções de diversos tamanhos, a sensibilização dos consumidores para a indicação da data de validade, a redistribuição do excedente alimentar e a promoção da circularidade através de utilizações para alimentação humana, alimentação animal e fins não alimentares.”

Investir em tecnologia e em ferramentas de automação é essencial para uma melhor gestão de desperdícios. A implementação de um sistema para controlo da qualidade na indústria alimentar, como o ACCEPT, pode ajudar a ultrapassar o desperdício e os desafios de segurança alimentar.

Através da implementação de um sistema para controlo da qualidade é possível recolher, de forma adaptada à sua indústria, dados da produção, permitindo uma análise em tempo real. Esta centralização permite:

– Recolher dados ao longo das várias etapas da linha de produção, possibilitando a identificação de melhorias nas rotinas das equipas de trabalho.

– A organização e documentação dos processos, melhorias nos procedimentos e uma melhor circulação de informação entre colaboradores.

– Rastrear os alimentos com matérias-primas de confiança, o que por sua vez permite:

i) Garantir que todas as matérias-primas e matérias de embalagem são usados da melhor maneira possível, possibilitando uma visão de economia circular.

ii) Estudar e escolher produtos sustentáveis, recicláveis e que causem menos desperdício alimentar.

iii) Fornecer produtos finais de qualidade superior.

Com a ligação dos equipamentos a um software de monitorização das linhas de produção, é ainda possível:

– Obter indicadores de eficácia e eficiência dos equipamentos, potenciando melhor conhecimento e gestão do produto.

– Analisar que um equipamento começa a ter mais produtos não conformes e menos eficácia, identificando a necessidade de manutenção e reduzindo a contaminação ao longo do processo.

Conclusão

Investir em tecnologia e automação é essencial para uma melhor gestão de desperdícios. O aumento da disponibilidade de alimentos contribui para a segurança alimentar e promove hábitos alimentares mais saudáveis, para as pessoas e para o ambiente. 

Implementar medidas de gestão e redução do desperdício alimentar contribui ainda para o aumento da rentabilidade da produção e consequentemente dos lucros da empresa, e mais importante que isso, vai ao encontro das estratégias do Pacto Ecológico Europeu para alcançar a neutralidade climática até 2050.

Patrícia Carreira

Mestre em Tecnologia e Segurança Alimentar pela FCT-UNLisboa. Realizou estágios na Chemiphar, Brugge e no grupo Lusiaves no departamento da qualidade, apoiando a implementação da IFS. Foi Responsável de Higiene e Segurança Alimentar na Panicongelados, SA e na Clara&Gema. Atualmente, desempenha funções de Consultora de Projetos na Sinmetro.

O ACCEPT pode ajudar a ultrapassar o desperdício e os desafios de segurança alimentar da sua indústria.

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