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Implementação OEE – Checklist para a equipa de TI

A implementação com sucesso de um projeto de digitalização do cálculo do OEE, além de todas as questões relacionadas com o processo, fórmula de cálculo e boas práticas associadas, necessita de uma boa implementação por parte da equipa de TI de modo a assegurar a sua robustez e consistência.

Neste artigo, iremos abordar vários aspetos que temos encontrado na implementação do nosso Sistema ACCEPT OEE, bem como várias questões para complementar a sua checklist, de modo que o seu projeto seja um sucesso!

Implementação OEE - check list equipa TI

1. Recolha de sinais

A recolha de dados dos equipamentos, seja através do software dos equipamentos ou da leitura de sinais de autómatos, é um ponto chave nos projetos de digitalização. Tipicamente esta fase recai na equipa de implementação da solução de recolha de dados, o que não invalida que seja necessário ter em conta alguns aspetos adicionais por parte da equipa de TI.

Chamamos a atenção para:

– Passagem de cablagem de rede para os PLCs

– Passagem de cablagem para ligação de sensores aos PLCs

– Disponibilizar alimentação para os novos equipamentos instalados

– Instalação de quadros elétricos

2. Integração ERP

Como já referido em outros artigos, a integração com o ERP é muito importante para garantir um fluxo de dados único, continuo e menos suscetível a erros. Será importante disponibilizar o planeamento de cada máquina para cada dia de produção, agregando toda a informação possível que seja relevante para o operador no chão de fábrica.

Nota: se for possível associar dados como cadência horária de cada ordem de produção, é menos um passo extra de parametrização que terá de ser controlado no sistema de monitorização.

3. Integração com outros sistemas

Nem sempre é possível, mas deve avaliar se existem outros sistemas ou equipamentos que possuem informação relevante para o seu processo de digitalização do cálculo do OEE. Um exemplo frequente de integração externa é com as inkjets que imprimem o lote e validade de cada produto. Ao obtermos o sinal de troca de lote, o sistema pode automaticamente fechar a produção anterior e preparar-se para a nova.

4. Rede sem fios

Com a disseminação de dispositivos que comunicam com tecnologia sem fios, tenha isso em conta na altura de preparar o seu projeto. Veja se preciso de novos pontos de acesso na fábrica, reforce a sua rede e, caso pretenda criar uma rede wireless especifica para os equipamentos industriais, assegure que a mesma apresenta uma boa qualidade de sinal e estabilidade nos locais de acesso. Tenha em especial atenção o potencial de interferências elétricas/eletromagnéticas que as próprias máquinas produtivas geram e que podem afetar a qualidade de acesso à rede wireless, levando a quebras na recolha de dados.

5. Interface com o operador – HMI

Existem várias possibilidades de interação com o utilizador, desde consolas industriais até PCs ou tablets. Escolha um que faça sentido para a sua realidade, e não se esqueça de analisar as várias hipóteses para garantir que o mesmo se adequa ao ambiente onde vai ser inserido. Por vezes não é necessário adquirir um PC ou tablet industrial, e ir para soluções com custos mais acessíveis, se conseguirmos capas ou proteções que garantam um bom funcionamento do equipamento.

6. Servidores

Da nossa experiência, tipicamente poderá necessitar de até 3 tipos de servidores para alojar um projeto deste género. Pode alojar tudo num servidor único, garantindo que as questões de segurança, conetividade e desempenho são asseguradas.

Os tipos de servidores necessários para uma solução de digitalização passam por:

– Base de Dados

Responsável por armazenar todos os dados recolhidos e processados pelo sistema, poderá ser dedicado a este projeto ou inserido no parque de servidores de BD já existente.

– Aplicacional

Armazena todas as aplicações e serviços necessários para o sistema funcionar.

– iot

Dependendo da arquitetura do sistema, os serviços e aplicações deste servidor podem ser partilhados com o servidor aplicacional. Aqui, ficará toda a plataforma de recolha de dados de chão de fábrica, que garante a conetividade com a rede industrial.

Nota: em alguns casos, a rede industrial é distinta da rede aplicacional e este servidor permitirá a comunicação entre as duas.

7. Disponibilizar sinóticos para a produção

Para partilhar os dados recolhidos em tempo real com toda a produção, avaliando se os objetivos diários estão a ser cumpridos, televisores ou monitores são a solução ideal. De modo a poder projetar a informação pretendida, existem várias soluções, desde uma ligação direta de um PC ao televisor, a softwares especificos para o efeito, como xpto, xpto2, ou xpto3, utilização de Raspberry PIs ou pequenas Android boxes.

Dependendo do layout da fábrica, número de postos e disponibilidade para investimento, escolha uma solução que seja operacionalmente funcional para ter o mínimo de setup diário para a sua implementação

Conclusão

Apesar de muitas vezes, após uma primeira análise, os desafios técnicos e tecnológicos para implementação de um projeto de digitalização do indicador OEE serem simples, avalie com cuidado cada um dos pontos do projeto de modo a não surjirem surpresas mais à frente, e tenha sempre em conta as especificidades da sua fábrica. É lá que o sistema funcionará diariamente e ninguém melhor que você poderá avaliar os prós e contras de cada opção.

E claro, nós estamos cá para ajudar!

Gonçalo Lourenço Martins

Sócio fundador da Sinmetro, desde 2002, sendo Product Manager do Software ACCEPT.

Licenciado em Engª Informática, pela FCTUC e pós graduado em 6 Sigma, pelo IPLeiria

Conheça os principais aspetos a considerar na altura de

implementar o OEE na sua fábrica!

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