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Inteligência Emocional e Inteligência Artificial, de mãos dadas?

Em pleno século XXI, a Inteligência Emocional e Inteligência Artificial estão presentes
no nosso quotidiano e torna-se importante perceber até onde devemos e podemos chegar
através destas duas áreas.

Em 1950, o autor Isaac Asimov publicou o livro “I, Robot” que viria a ser uma referência na escrita da ficção científica, onde relata o desenvolvimento e chegada dos robôs no dia-a-dia dos humanos. Em 2004, 54 anos mais tarde, esta história serviu de argumento para o filme com Will Smith enquanto ator principal perante a ação que decorre em 2035, onde os robôs existem para servir a espécie humana. Ora se pensarmos que estamos em 2024, onde esta realidade já existe, continua em desenvolvimento e com acelerada evolução tecnológica, podemos então questionar: em que ponto desta realidade estaremos daqui a pouco mais de 10 anos, em 2035?

O paralelismo entre Inteligência Emocional (IE) e Inteligência Artificial (IA)

Para fazer o paralelismo entre Inteligência Emocional e Inteligência Artificial, importa relembrar os respetivos conceitos. Em 1995, o psicólogo e autor Daniel Goleman, refere no seu livro “Inteligência Emocional”, um best seller, “que a inteligência emocional é tão importante quanto o quociente de inteligência (QI)”, sendo que a IE engloba cinco áreas fundamentais: conhecer as próprias emoções, geri-las, ter motivação intrínseca, reconhecer as emoções nos outros e gerir relações.

Inteligência Emocional (IE)

O nosso cérebro distingue-se de uma máquina porque tem a emoção genuína vinda da mente que impacta os nossos sentimentos e comportamentos. Em todas estas áreas, não parece ser possível que uma máquina possa substituir o papel humano, apesar de todo o esforço na investigação desta ciência. O ser humano pode programar e desenvolver as máquinas com a maior eficiência, mas elas não conseguem entender, sentir, motivar e conversar com empatia. Contudo, é de salientar que a Inteligência Emocional é um processo contínuo que requer treino desde a infância e persegue ao longo da vida com base no autoconhecimento, autorregulação, auto motivação, habilidades sociais e empatia.

Inteligência Artificial: o panorama atual

No que diz respeito à Inteligência Artificial, podemos verificar as inúmeras alterações que já existem em diversas áreas, tais como, nas empresas, na medicina, na investigação, no mundo académico, entre outras. Na nossa vida diária, coabitamos com a IA através da evolução tecnológica, como por exemplo, assistentes pessoais virtuais, reconhecimento digital, facial e de voz, sistemas digitais inteligentes com ligações remotas: ar condicionado, aparelhos domésticos, carros automáticos, compras online e otimização dos sistemas de pagamento, cibersegurança, agricultura inteligente, drones, equipamento industrial robotizado.

Em 2023, o Parlamento Europeu redefiniu a Inteligência Artificial onde considera que seja “a capacidade que uma máquina tem para reproduzir competências semelhantes às humanas como é o caso do raciocínio, a aprendizagem, o planeamento e a criatividade. A IA permite que os sistemas técnicos percebam o ambiente que os rodeia, lidem com o que percebem e resolvam problemas, agindo no sentido de alcançar um objetivo específico. O computador recebe dados, processa-os e responde”.

Inteligência Emocional e Inteligência Artificial: o melhor dos dois mundos.

O ideal seria usufruir do melhor dos dois mundos da Inteligência Emocional e Inteligência Artificial, sabendo, desde já que, as máquinas e a evolução tecnológica assumirão um lugar mais imponente nas nossas vidas. A Inteligência Artificial permite, sem dúvidas, um elevado ganho de eficiência e produtividade em diversos contextos. Por sua vez, a Inteligência Emocional possibilita uma interação humana autêntica, um contacto social com empatia e perceção de comportamentos.

Em 2017, Megan Beck e Barry Libert publicaram na Harvard Business Review um artigo onde referem que as características empáticas humanas são difíceis de replicar pela IA e são as mais valorizadas na era atual e que, infelizmente, estas competências não têm tido a devida prioridade na formação de base e educação. Os autores salientam que não adianta colidir com a IA, devemos criar ligações de parceria e complementaridade. Assim, a Inteligência Emocional e Inteligência Artificial têm vindo a unir conhecimento em algumas áreas, nomeadamente na medicina, no ensino, no marketing e na área financeira.

Inteligência Emocional (IE) e Inteligência Artificial (IA)

No futuro, as profissões serão adaptadas a estas duas realidades e o ser humano deverá demonstrar capacidade de adaptação com soft skills que as máquinas não conseguem atingir no domínio da Inteligência Emocional. Na área da medicina e saúde mental, as máquinas poderão elaborar diagnósticos e relatórios cada vez mais detalhados, mas dificilmente conseguirão estar ao lado do utente, de mão dada a sentir a temperatura corporal, reagir com emoção ao toque, conversar com empatia ou até chorar. Nas organizações, a Inteligência Artificial analisará, ainda mais ao pormenor, diversos dados estatísticos, mercados, identificará melhorias a implementar com objetivos e ações, mas faltará, garantidamente, a componente motivacional, da inspiração, do sonho, da liderança humanizada.

Por outro lado, sabemos que estão a decorrer investigações onde a IA é treinada para responder de uma forma mais empática e sensível às emoções. Esta situação verifica-se nos chats online em que os assistentes conseguem detetar através da linguagem oral ou escrita determinados sinais de tristeza, felicidade, frustração e reagir em tempo real com um discurso e solução adequados. Na área da saúde, o reconhecimento de determinadas microexpressões faciais através de um ecrã permite identificar algumas características patológicas suscetíveis de merecerem um devido acompanhamento médico. Neste campo, a Inteligência Artificial também poderá ser um aliado da população idosa sendo um suporte em caso de alerta ou emergência e apoio no combate ao isolamento.

Conclusão

Nesse futuro, que se prevê próximo, as questões éticas são fundamentais e os principais desafios estarão associados à privacidade e à utilização indevida dos dados emocionais. Já há 7 anos atrás, o Euro barómetro, um inquérito da União Europeia de 2017 sobre as “Atitudes face ao impacto da digitalização e da automatização na vida quotidiana.“, revelava que 61% dos europeus tinham uma opinião positiva sobre a IA, mas 88% consideravam que estas tecnologias exigiam uma gestão com cautela.

Inteligência Emocional Artificial

A Inteligência Artificial caminha para a criação da Inteligência Emocional Artificial, empatia artificial? Estaremos a tornar-nos demasiado artificiais e estaremos a deixar pelo caminho o verdadeiro sentido da Inteligência Emocional com base no ser humano com verdadeira empatia? Um equilíbrio e evolução saudável entre a Inteligência Emocional e Inteligência Artificial torna-se essencial.

Cristina Nobre

Licenciada em Comunicação Organizacional pela Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de Coimbra e Mestre em Marketing na Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra. Especialista em Comunicação e Marketing, áreas onde atua desde 2004. Atualmente, Mestranda em ‘Educação para a Saúde” no Instituto Politécnico de Coimbra.

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