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PMEs e Indústria 4.0: Superar 6 dificuldades na digitalização de PMEs

As Pequenas e Médias Empresas (PMEs) apresentam algumas limitações inerentes que impactam a implementação de iniciativas e dos fundamentos da Indústria 4.0, perante a realidade de uma economia global.

Neste artigo analisamos as principais dificuldades de digitalização para, de seguida, apresentarmos alguns passos que podem auxiliar uma integração suave das PMEs na quarta revolução industrial.

Aumentar o nível de digitalização das empresas pode ou não significar uma digitalização completa dos processos de produção, logística, organização e cadeias de abastecimento, o que implica compromisso, liderança, tecnologias emergentes e investimentos financeiros baixos e altos, dependendo do nível de maturidade I4.0.

Contudo, importa salientar que nem todas as tipologias de digitalização se encontram em consonância com os constituintes da I4.0, para a qual, ainda hoje, não existe um consenso quanto ao estabelecimento de uma definição universal. Por isso, existem diferentes formas de perspetivar o conceito, direcionando-o para uma digitalização pura ou orientada. Uma digitalização de processos que privilegie uma conjugação dos princípios de design será facilmente considerada uma proposta orientada (para a Indústria 4.0), por exemplo.

As principais dificuldades para a digitalização e integração das PMEs na Indústria 4.0

Sendo os setores de manufatura tradicional aqueles que têm mais obstáculos inerentes, as principais dificuldades para a digitalização e integração das PMEs na Indústria 4.0 são:

1 – Processo de produção personalizado: no sentido em que muitas empresas não possuem máquinas (CNCs ou máquinas de moldagem), chão de fábrica dependente da força de trabalho para a criação de valor e, portanto, as poucas máquinas existentes servem essencialmente de apoio a produções modulares;

2 – Falta de cultura corporativa para os conceitos da quarta revolução industrial: atitude cautelosa ou cética em relação às tecnologias emergentes de cariz experimental; cultura empresarial que prefere manter as rotinas de trabalho desatualizadas, que assentam em suportes físicos, Excel e telefone;

3 – Instabilidade organizacional: estruturas hierárquica e de negócio, liderança, organização, regulamentos internos, estratégia conservadora, entre outros;

4 – Segurança de dados: os ataques cibernéticos são o principal agente dissuasor para uma confiança das empresas;

5 – Ausência de mão de obra qualificada: a reduzida capacidade de captação de talentos alia-se à falta de pessoal, experiência das equipas, e tecnologias;

6 – Desconhecimento dos principais benefícios económicos: muitas organizações não estão aptas para fazer uma avaliação dos benefícios resultantes do investimento digital, nem sabem como gerar novas oportunidades de crescimento.

De que formas as PMEs podem superar as dificuldades ao nível da digitalização?

1 – Acompanhamento da literatura científica. Atualmente, existe muita produção científica detalhada em torno da Indústria 4.0 e da sua aplicabilidade em contexto empresarial, apresentando estudos de casos reais em contextos diversificados.

– Perceber se as necessidades da empresa passam por uma reengenharia do processo, com o intuito de se estabelecer novos procedimentos (correção de duplicações e erros de produção, por exemplo). Ou se o objetivo se prende com o estabelecimento de uma nova forma de os colaboradores trabalharem as informações geradas (departamento de vendas, departamento de operações e chão de fábrica): centralização, rapidez, e edição da informação em tempo real com a utilização de um site ou aplicativo freeware baseado em nuvem.

2 – Avaliar o estado de maturidade da empresa. Existem diferentes características, níveis sequenciais, ferramentas e até modelos disponíveis e gratuitos para avaliar a prontidão digital e de comprometimento das empresas.

3 – Evitar erros ao implementar as iniciativas I4.0. Tendo em conta o amplo escopo da I4.0, recorrer a uma empresa de consultoria tecnológica pode ser imprescindível para descodificar complexidades tecnológicas consoante a sua área da atuação.

– As empresas de consultoria tecnológica têm conhecimentos sobre as tecnologias emergentes devido a um acompanhamento muito próximo da literatura científica. Por outro lado, quanto mais experiência tiverem estas empresas, maior será a sua eficácia ao nível da definição e implementação do rumo empresarial face ao contexto onde se insere.

4 – Candidatar-se a sistemas de apoio à digitalização e inovação produtiva. No âmbito dos apoios europeus, Portugal oferece auxílios, muitos deles a fundo perdido, para que as empresas possam alcançar a preconização digital.

5 – Explorar o conhecimento gerado mesmo que não se consiga perspetivar à priori exemplos reais e benefícios tangíveis a longo prazo.

6 – Incentivar a qualificação de equipas através de apoios estatais quando as empresas não possuem disponibilidade financeira suficiente. Outra solução passa por digitalizar um processo sem alterá-lo, para que os colaboradores estejam aptos a utilizar as aplicações sem grandes dificuldades.

Quando se fala em digitalização de PMEs, a de caráter simples pode ser uma forma de direcionar uma empresa para a Indústria 4.0, a partir da simplificação de um processo existente, por meio da implementação de um website ou de uma aplicação baseada em nuvem, ou da coleta de dados de um processo fulcral na empresa, permitindo introduzir uma ou várias etapas de digitalização com pequenas alterações no processo, por exemplo. Significa que os objetivos empresariais podem ser diferentes (interconexão da empresa, transparência das informações, entre outros), para princípios I4.0 confluentes.

A integração da quarta revolução digital é uma inevitabilidade e as empresas que ainda não se conscientizaram estão em desvantagem, porque poderiam estar, neste momento, a gerar novas oportunidades, após um melhoramento interno no que diz respeito à produtividade da empresa e eficácia da produção. Para esse fim, existe bibliografia disponível, bem como empresas que auxiliam as fases iniciais, de estudo, definição e implementação, personalizadas de acordo com as necessidades de cada PME.

Bruno Frutuoso Costa

Mestre em Jornalismo e Comunicação. É, no momento, investigador na Universidade de Coimbra e colaborador da Sinmetro.

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