Artigo, Pré-embalados, Qualidade Industrial

Pré-embalados: que amostragem usar no meu controlo diário?

Esta será talvez uma das questões mais frequentes para quem vai iniciar o controlo em processo dos seus pré-embalados ou mesmo para quem já realiza o controlo há algum tempo, mas ainda têm dúvidas sobre como deve fazer esse controlo corretamente.

A resposta não é igual para todos os embaladores e processos de embalamento e não se encontra estabelecida em nenhum documento normativo ou diploma legal, como é frequentemente assumido.

Pretendemos, ao longo deste artigo, dar uma ajuda no sentido de estabelecer uma amostragem mais adequada, para o seu controlo em processo.

Devo utilizar os planos de amostragem estabelecidos na lei?

Os planos de amostragem estabelecidos na Portaria n.º 1198/91 de 18 de dezembro foram criados para serem utilizados pelas entidades de qualificação reconhecida, nas verificações metrológicas de pré-embalados, realizadas anualmente nas instalações dos embaladores. Estes são os indicados na Recomendação R87 e16 da OIML e que, por sua vez, deram origem às Diretivas Comunitárias, transpostas para o direito nacional através da referida Portaria.

A Recomendação R87, refere claramente no seu âmbito, conforme é visível na figura 1, que não é recomendável a aplicação dos planos de amostragem aí definidos no controlo de processos do embalador.

Figura 1: Âmbito de aplicação da Recomendação R87 e16 da OIML.

Os planos de amostragem da R87 não devem ser utilizados no controlo em processo porque são planos pontuais e com amostragens demasiado grandes e pouco práticas, para um controlo diário, que não permitem detetar as variações no conteúdo dos pré-embalados ao longo do tempo. Estas amostras são determinadas em função da dimensão do lote, pois procuram ser representativas do mesmo, mas no controlo em processo o que se pretende é garantir que o processo de embalamento se mantém estável e controlado.

Ficando excluída a possibilidade de o embalador utilizar os planos de amostragem estabelecidos na Portaria n.º 1198/91 de 18 de dezembro, resta então saber como estabelecer um plano de amostragem adequado.

Qual a amostragem e frequência ideal?

Como já referido, o ponto de partida para a definição do plano de amostragem não passa por ter como base a cadência de produção ou a totalidade de unidades produzidas de um determinado lote. Interessa tentar perceber a variabilidade e a estabilidade das linhas de embalamento. O plano de amostragem a definir deverá ser útil para detetar as variações ao longo do tempo e não as variações dentro da própria amostra.

Figura 2: Estudo da capacidade de um processo através da variabilidade entre amostras

Cada processo de embalamento tem as suas próprias características, sendo que a variabilidade do mesmo depende de um conjunto de variáveis diversificado, tais como, o processo de doseamento (manual, multicabeçal, volumétrico, gravimétrico, etc.), a temperatura, a humidade, as propriedades e características do produto, a embalagem, entre outras. Também é importante otimizar a relação entre a eficácia do controlo e os custos associados, despendendo apenas do tempo necessário para um controlo eficaz das quantidades.

Numa primeira fase, deve-se começar por definir um plano de amostragem baseado num conhecimento empírico do processo de embalamento e, posteriormente, ajustar esse mesmo plano, de acordo com os dados obtidos, por forma a otimizar o processo de amostragem.

Imagine-se um processo de enchimento de garrafas de água de 330 ml, onde se estabelece um plano de amostragem de 6 garrafas a cada 30 minutos. Depois obter um conjunto de dados com significado estatístico se, por exemplo, se verificar a existência de pouca variabilidade nos pesos da amostra, e pouca variabilidade entre as médias de cada amostra, poderá alterar-se o plano de amostragem para 4 garrafas a cada 60 minutos, sem comprometer os requisitos legais e garantindo que o processo se encontra devidamente controlado.

Uma forma de analisar os dados obtidos no controlo do processo, poderá ser através da implementação de cartas de controlo. Estas têm grande utilidade para a interpretação das tendências e da variabilidade do processo, fornecendo indicações muito úteis para o ajuste dos planos de amostragem.

Conclusão

O objetivo do controlo em processo é conhecer bem o comportamento do processo, de forma a garantir que, independentemente do número de unidades produzidas ou da cadência do embalamento, é possível cumprir as 3 Regras do Embalador e que não se embala por excesso.

Não existem planos pré-estabelecidos para o controlo de pré-embalados, mas os princípios descritos em cima devem servir para orientar os embaladores, no sentido de encontrar um plano de amostragem, o mais adequado possível aos seus processos. Devem sempre ser avaliados os riscos que se podem correr, os custos associados e o nível de qualidade que se pretende garantir, de forma a adequar os seus planos de controlo.

Referências

Recomendação R87, Edição de 2016, Quantity of product in prepackages, Organização Internacional de Metrologia Legal, disponível em OIML R 87 Edition 2016.

Autor Rui Silva

Rui Manuel Pedrosa Silva

Mestre em Eng.ª do Ambiente, Rui Manuel Pedrosa da Silva realiza e coordena, há 11 anos, ensaios de verificação metrológica de Pré-embalados. Desde 2012, participa como formador e orador em vários seminários e formações sobre Controlo Metrológico de Pré-embalados. Atualmente desempenha funções de Gestor da Qualidade e Diretor Técnico na empresa Aferymed.

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