Pré-embalados, Qualidade Industrial

Pré-embalados e o Sistema da Quantidade Média

Em vários artigos temos falado de pré-embalados, da sua rotulagem, das 3 Regras do Embalador, de como devem ser controlados e de vários outros aspetos de grande importância para a sua disponibilização no mercado. Porém, a ideia base que está na origem do conceito dos pré-embalados carece também de uma breve abordagem para que se possa compreender melhor de onde vêm os requisitos que são aplicados neste âmbito. Vamos por isso falar do Sistema da Quantidade Média (SQM) e da sua importância no controlo metrológico de Pré-embalados.

Porquê implementar um Sistema da Quantidade Média (SQM)

Podemos começar por analisar o significado da marca de conformidade ℮ que frequentemente aparece no rótulo dos produtos pré-embalados e ficamos com uma breve ideia daquilo que significa o SQM. A marca ℮ tem a sua origem no termo estimated, o que só por si é bastante elucidativo relativamente à sua função. Como esta marca é colocada junto à indicação da quantidade nominal, ficamos a perceber que a quantidade indicada no rótulo é, portanto, uma quantidade estimada.

Podemos assim deduzir que, por exemplo, uma embalagem que tenha a indicação de 1 Kg, deverá ter pelo menos essa quantidade. Na verdade, essa indicação representa, não a quantidade mínima, mas sim a quantidade média, pelo que nos levará a concluir que, em média, um determinado conjunto de pré-embalados terá uma média de 1 kg. Porém isto não é suficientemente robusto para garantir que os consumidores não são prejudicados na aquisição de produtos pré-embalados.

Se tivermos uma embalagem com 0,5 kg e outra com 1,5 kg, temos um valor médio de 1 kg, mas não nos parece muito justo que alguém adquira uma embalagem com 0,5 kg, quando a mesma tem declarado um valor de 1 kg. É por esse motivo que surge a necessidade de implementar o SQM.

O que é o Sistema da Quantidade Média (SQM)?

O Sistema da Quantidade Média consiste na implementação de um método acordado internacionalmente para determinar o conteúdo efetivo de produtos colocados no mercado com uma quantidade nominal constante. Esta metodologia baseia-se em recomendações desenvolvidas pela Organização Internacional de Metrologia Legal (OIML) e deverá ser implementada pelos embaladores de forma a garantir que os produtos são colocados no mercado com a quantidade correta.

O SQM, tal como o próprio nome indica, implica que, de facto, um conjunto de pré-embalados tenha em média um conteúdo superior ou igual à quantidade nominal neles declarada, mas requer também que sejam seguidas outras regras para que o sistema seja eficaz. Estas regras são conhecidas como as 3 Regras do Embalador.

A implementação deste sistema pretende garantir que 97,5% dos produtos se encontram dentro de determinadas tolerâncias. Estas tolerâncias são proporcionais à quantidade nominal e, em Portugal, encontram-se estabelecidas no Quadro n.º 1 da Portaria n.º 1198/91 de 18 de dezembro.

Para que seja mais fácil interpretar estas regras, a figura seguinte permite compreender de forma ilustrativa o funcionamento das mesmas.

Figura 1: Ilustração gráfica das 3 Regras do Embalador

O que é necessário para implementar um Sistema da Quantidade Média nos pré-embalados?

Um SQM pode ser implementado de diferentes formas, desde que a metodologia implementada permita garantir o cumprimento das 3 Regras do Embalador. Para o fazer, o embalador deve munir-se de todos os equipamentos necessários à determinação do conteúdo efetivo dos pré-embalados e realizar vários registos de forma a poder ficar com uma visão clara do estado dos seus processos de controlo de embalamento.

O controlo dos processos pode ser feito realizando medições por amostragem ou então através de instrumentos de pesagem automática que permitem realizar controlos a 100%. Seja qual for a metodologia utilizada devem determinar-se todos os parâmetros estatísticos necessários a uma monitorização adequada dos processos. A utilização de cartas de controlo, com critérios de especificação bem definidos, é bastante útil para alcançar uma visualização gráfica dos estados dos processos. É muito importante que os colaboradores tenham conhecimentos relativos ao controlo metrológico para poderem intervir nos processos em conformidade.

O SQM pode ser implementado em qualquer tipo de suporte, em papel ou mesmo em folhas de cálculos, no entanto, existem no mercado softwares de controlo estatístico de pré-embalados que já se encontram devidamente configurados e preparados para recolher toda a informação necessária ao controlo, fazer as devidas validações e acompanhar os processos em tempo real. O sistema ACCEPT Cloud é uma plataforma concebida precisamente para o controlo de pré-embalados e que poderá trazer muito mais benefícios do que simplesmente garantir o cumprimento dos requisitos legais.

Que equipamentos utilizar?

Por norma, a determinação do conteúdo efetivo de pré-embalados é realizada por gravimetria, utilizando instrumentos de pesagem, vulgarmente designados por balanças e, por isso, é importante selecionar uma balança adequada aos pré-embalados que se irão pesar.

Quando os pré-embalados são declarados em unidades de volume também será necessário determinar a massa volúmica das substâncias embaladas. Neste caso é necessário ter também os instrumentos adequados à sua determinação, tais como, areómetros, picnómetros ou densímetros digitais.

Conclusão

Implementar um SQM verdadeiramente útil e eficaz não é uma tarefa fácil e requer bastante planeamento e envolvimento tanto da qualidade como da produção, mas é algo sem dúvida importante para não ser surpreendido com a existência de produtos não conformes ou com quantidade em excesso. A utilização de sistemas de controlo estatístico facilita bastante a sua aplicação e deve sempre ser colocada como opção pois, na prática, poderá inclusive traduzir-se numa redução de custos e de tempo no controlo de processos de embalamento.

Referências

Australian Government, National Measurement Institute, Julho 2010, Guide to the Average Quantity System in Australia, disponível em untitled (industry.gov.au).

Guia WELMEC 6.6, Edição 2 de maio de 2013, Guide for recognition of procedures, disponível em www.welmec.org.

Guia WELMEC 6.4, Edição de 2015, Guide for packers and importers of e-marked prepacked products, disponível em www.welmec.org.

Estimated sign – Wikipedia

Autor Rui Silva

Técnico de Metrologia Legal – Aferymed

Mestre em Eng.ª do Ambiente, Rui Manuel Pedrosa da Silva realiza e coordena, desde 2008, ensaios de verificação metrológica de Pré-embalados. Desde 2012, participa como formador e orador em vários seminários e formações sobre Controlo Metrológico de Pré-embalados. Atualmente desempenha funções de Gestor da Qualidade e Diretor Técnico na empresa Aferymed.

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