Artigo, Indústria Alimentar, Qualidade Industrial

Referenciais de segurança alimentar na indústria: qual a melhor opção?

A globalização dos mercados, a continuidade de relações comerciais com um cliente já existente, o início de uma nova relação comercial ou a redução do número de auditorias de terceira parte, são alguns dos principais motivos que a indústria alimentar encontra para ter que implementar um referencial de segurança alimentar. Até à implementação, existe um caminho por percorrer!

Algumas considerações iniciais:

Antes de iniciar a análise de qual o melhor referencial industrial para a sua realidade, tenha em conta o seguinte:

Compatibilidade: temos alguma certificação implementada? (ISO 9001, HACCP…);

Experiência: somos auditados por algum cliente que se baseia por alguma norma?

Know-How: temos melhor entendimento/formação sobre alguma norma?

Requisito do cliente: temos clientes que nos recomendam normas específicas?

Custo de certificação: qual o custo de implementação e manutenção de uma certificação?

Análise de mercado: quais os referenciais normativos mais utilizados pelas indústrias do mesmo sector/ concorrentes?

GFSI – Global Food Safety Initiative

Com a missão para a melhoria contínua dos sistemas de gestão da segurança alimentar e para garantir a confiança no fornecimento de alimentos seguros aos consumidores, alguns dos lideres da indústria alimentar criaram a GFSI em 2000 para encontrar soluções colaborativas para as preocupações coletivas, especialmente para reduzir os riscos de segurança alimentar, duplicação de auditoria e custos, criando confiança em toda a cadeia de fornecimento.

A GFSI é uma entidade sem fins lucrativos, criada para promover a segurança dos alimentos a nível global. Uma das principais ações desta fundação é o reconhecimento de normas de certificação aceites por grandes empresas da área alimentar. A GFSI é impulsionada pelo Consumer Goods Forum (CGF)

Os principais objetivos da GFSI:

– Reduzir os riscos de segurança alimentar, sistemas de gestão de segurança alimentar compatíveis e eficazes;

– Otimizar os custos ao longo de toda a cadeia de abastecimento, eliminando a redundância e melhorando a eficiência operacional;

– Desenvolver competências em segurança alimentar para criar sistemas alimentares globais consistentes e eficazes;

– Fornecer uma plataforma única de parceiros internacionais para colaboração, troca de conhecimento e networking.

Os três principais componentes dos referenciais GFSI: HACCP, Programas Pré-Requisitos e Sistemas de Gestão

HACCP:

Demonstrar o cumprimento dos 7 princípios e 12 etapas de implementação, de acordo com o Codex Alimentarius. A maioria dos referenciais é muito semelhante neste componente, mas alguns têm requisitos mais específicos (por exemplo, revisão anual do plano ou detalhes específicos na descrição do produto).

Programas de Pré-requisitos:

Existe uma lista de requisitos mínimos no documento de orientação da GFSI. No entanto, os diferenciais variam muito no nível de detalhes e requisitos para cada programa. Em alguns casos, há uma descrição ampla, enquanto em outros os requisitos são muito detalhados e considerados prescritivos.

Algumas organizações preferem que a estratégia de menos seja melhor, mas sem requisitos detalhados, é possível que os funcionários se percam, resultando em inconsistência e não conformidade.

As organizações que se enquadram em grupos de produtos que estabeleceram programas GMP regulamentares ou aceites pelo setor têm uma vantagem, já que geralmente é mais fácil para eles ajustar o seu sistema a qualquer um dos referenciais disponíveis.

Sistemas de Gestão:

Estes requisitos estão incluídos na orientação da GFSI e nos padrões para criar sustentabilidade e melhoria contínua.

A abordagem dos requisitos do sistema de gestão é a principal diferença entre os referenciais, já que os tipos de programas e os níveis de detalhe são muito diferentes.

Esses requisitos incluem documentação e controle de registos, envolvimento e comprometimento da administração, medição da conformidade e como os desvios e lacunas relatados são tratados e fechados.

Alguns referenciais exigem procedimentos mais documentados para abordar esses tópicos, enquanto outros exigem a identificação de regras que seriam seguidas.

As organizações que implementaram sistemas de gestão, como o ISO 9000, terão mais facilidade em implementar esses programas. No final, a conformidade com todos os requisitos é uma obrigação.

IFS, BRC e FSSC 22000 – os referenciais mais implementados

Entre os referenciais normativos aprovados pela GFSI, os mais implementados são os referências IFS (International Featured Standards), BRC (British Retail Consortium) e FSSC 22000.

Antes de seleccionar o referencial sugere-se uma leitura e análise cuidada sobre cada um deles, baseada em guidelines e informação de apoio disponibilizada pelos respectivos sites.

Aspetos a ter em conta na escolha do referencial a implementar:

– Não existem referenciais normativos melhores ou mais fáceis, cada um deles terá a sua particularidade face à realidade de cada indústria alimentar;

– Optar pelo referencial normativo que mais se alinha à cultura, linguagem e estratégia da organização;

– Os custos das certificações poderão variar entre entidades certificadoras pelo que será sempre vantajoso efectuar um estudo de mercado;

– Considerar como input na selecção do referencial, a opinião e experiência dos seus stakeholders (consultores, colegas, clientes e concorrentes);

– Fazer uma auditoria de diagnóstico com o referencial escolhido, de modo a conhecer e definir o plano de ação para atingir o principal objetivo, a implementação de um referencial normativo em segurança alimentar!

Joana Duarte

Licenciada em Engª. Química Industrial, Joana Raquel Assis Duarte trabalha, há 16 anos, na Indústria Alimentar: Gestão Operacional de Produto, Planeamento Produção, Controlo de Gestão, Otimização de Processos Produtivos, Logística, Processos de Exportação, Procurement, Compras, Aprovisionamentos e Qualidade e Segurança Alimentar.

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