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Selos e logótipos na Indústria Alimentar: a competitividade no caminho da sustentabilidade

Na indústria alimentar são vários os selos e logótipos atualmente rotulados nos produtos alimentares que encontramos nos lineares dos hipermercados. Mas nem sempre conhecemos a aplicabilidade e objetivos pelo qual esses símbolos são rotulados.

A cada dia que passa, a consciência que necessitamos de fazer algo para melhor a “Nossa Casa” aumenta.

Somos constantemente “bombardeados”, na indústria alimentar, por requisitos dos nossos tão exigentes clientes das grandes superfícies – Aldi, Lidl, Sonae e todos os outros – volta e meia desafiam-nos em arregaçarmos as mangas e desenvolvermos produtos de qualidade, com a máxima segurança alimentar e sustentáveis, a preços competitivos!

Como fornecedores de clientes cada vez mais exigentes, é importante que nos encontremos certificados de acordo com padrões reconhecidos, produzindo produtos com selos de garantia de entidades de verificação independentes.

Neste artigo apresentamos um resumo desses principais selos e logótipos.

V-Label

O V-Label, um “V” verde em fundo amarelo é um selo reconhecido ao nível internacional para identificação de artigos vegetarianos e vegan. A vantagem: os produtos têm uma identificação uniforme e clara.

O V-Label é atribuído pela organização independente European Vegetarian Union (EVU). Antes da certificação do artigo, os ingredientes e auxiliares tecnológicos são verificados detalhadamente pela EVU. No caso de alterações da composição do produto é feita uma nova verificação.

O V-Label está disponível em duas categorias para atender aos diferentes hábitos alimentares. Estas aparecem devidamente identificadas nos produtos. Não são identificados artigos que, por natureza, não têm componentes de origem animal.

Logótipo “Bio” da União Europeia

O logotipo “Bio” da UE confere uma identidade visual coerente aos produtos orgânicos produzidos pela União Europeia, facilitando a identificação dos produtos pelos consumidores e ajuda os produtores a comercializá-los em toda a UE.

Este logótipo só pode ser usado em produtos certificados como orgânicos por entidades autorizadas. Devem ser cumpridas condições estritas sobre como devem ser produzidos, processados, transportados e armazenados.

Só pode ser usado em produtos que contenham pelo menos 95% de matérias-primas provenientes de produção biológica controlada e que respeitem adicionalmente outras condições específicas para os 5% restantes. Como por exemplo, o mesmo ingrediente não pode estar presente na forma biológica e não biológica, não são alterados geneticamente, não contêm aromas ou corantes artificiais e não devem ser submetidos a tratamento com produtos fitofarmacêuticos sintéticos.

Os animais devem ser bem tratados, ou seja, devem estar em recintos com espaço suficiente e com compartimentos de refúgio, e são alimentados exclusivamente com alimentos para animais produzidos de forma ecológica e sem adição de antibióticos ou de outros fatores de crescimento.

As explorações agrícolas certificadas biologicamente são avaliadas anualmente por avaliadores independentes.

Ao lado do logotipo “Bio” da UE, deve ser exibido um número de código do organismo de controlo, bem como o local onde foram cultivadas as matérias-primas agrícolas que compõem o produto.

ASC (Aquaculture Stewardship Council)

Foi fundado em 2010 pela WWF e IDH (Sustainable Trade Initiative), é uma organização independente sem fins lucrativos, com influência global.

A ASC tem como principal objectivo, ser o líder mundial em certificação e rotulagem de frutos do mar produzidos de forma responsável e o seu papel principal é gerir os padrões globais de aquicultura responsável, que foram desenvolvidos pelo Diálogos de Aquicultura WWF.

ASC trabalha com os seus principais parceiros (aquicultores, empresas de serviços de alimentação, cientistas, grupos de conservação, e consumidores), com os seguintes objectivos:

– Reconhecer e recompensar a aquicultura responsável através do Programa de Certificação de Aquicultura ASC e rótulos de frutos do mar;

– Promover a melhor escolha ambiental e social na compra de frutos do mar;

Contribuir para a transformação do mercado de frutos do mar em direção à sustentabilidade;

Deste modo, o ASC executa um ambicioso programa para transformar os mercados mundiais de frutos do mar e promover o melhor desempenho ambiental e social da aquicultura. Isso significa aumentar a disponibilidade de frutos do mar certificados para os consumidores, produzidos de forma responsável, e promover o uso do logotipo ASC.

O logótipo envia uma forte mensagem aos consumidores sobre a integridade ambiental e social do produto que estão comprando.

GCP (Global Coffee Platform)

A Global Coffee Platform  é uma iniciativa “multi stakeholder”  que reúne importantes intervenientes da industria alimentar, nomeadamente do café, entre eles,  produtores de café, cooperativas, exportadores, comerciantes de café verde, importadores, grossistas e retalhistas trabalham, em conjunto, por melhores condições económicas, sociais e ambientais na produção e processamento do café.

Em foco estão, nomeadamente, pequenos produtores, as suas famílias e trabalhadores. O objetivo da GCP é a melhoria quer das condições de vida e das perspectivas de futuro das pessoas envolvidas no cultivo do café, quer dos sistemas ecológicos.

Através da aplicação do Baseline Common Code (Código Comum Básico) da GCP que apoia, mediante os seus critérios e abordagens práticas, a implementação de sustentabilidade na produção e processamento de café. Apoia ainda estratégias nacionais de sustentabilidade e pode ser aplicado pelos intervenientes na cadeia de valor acrescentado de café.

DOP (Denominação de Origem Protegida)

Uma DOP é um nome geográfico ou equiparado que designa e identifica um produto originário desse local ou região, cuja qualidade ou características se devem essencial ou exclusivamente ao meio geográfico específico, incluindo fatores naturais e humanos, cujas fases de produção têm lugar na área geográfica delimitada.

FSC ® (Forest Stewardship Council®)  

O símbolo FSC identifica madeira e produtos de madeira provenientes de uma gestão florestal responsável, de acordo com normas ambientais e sociais mundialmente uniformes.

A certificação está subjacente a dez princípios de sustentabilidade, assegurando aos produtos de madeira ou de papel que:

– há rastreabilidade completa da cadeia de abastecimento da madeira;

– a madeira não é proveniente de florestas localizadas em zonas protegidas ou passíveis de serem consideradas protegidas;

– os direitos dos povos indígenas são preservados e o equilíbrio ecológico da zona florestal é garantido a longo prazo.

O certificado é atribuído por entidades terceiras independentes, sendo verificado anualmente.

O FSC foi fundado como ONG independente, sem fins lucrativos, no seguimento da conferência sobre o meio ambiente, no Rio de Janeiro, em 1993. Hoje existem certificados FSC em mais de 120 países e o FSC está representado em mais de 40 países com organizações próprias. As certificações só podem ser emitidas por organizações acreditadas pelo Accreditation Services International, organismo de acreditação do FSC.

Iniciativa Lavagem e Limpeza Sustentáveis 

A Iniciativa Lavagem e Limpeza Sustentáveis é uma iniciativa voluntária (AISE – International Association for Soaps, Detergents and Amintenance Products) à escala europeia da indústria de produtos de limpeza e detergentes.

Desde 2005 que existe uma “Carta para a Limpeza Sustentável” (“Charter for Sustainable Cleaning“). Ao participar da Carta, as empresas comprometem-se a adoptar uma conduta sustentável: para a produção de produtos de limpeza e detergentes são tidos em consideração aspectos ecológicos, económicos e sociais como, por exemplo, a segurança dos consumidores, a protecção do ambiente e as inovações.

As informações existentes nas embalagens dos produtos garantem ao consumidor uma utilização mais segura e respeitadora do ambiente.

Rainforest Alliance Certified®

Rainforest Alliance Certified®

A Rainforest Alliance Certified® foi fundada em 1987 na luta contra a progressiva destruição das florestas tropicais.

Na indústria alimentar, o selo com a rã verde identifica produtos tais como café, cacau, chá, bananas ou citrinos, provenientes de um cultivo sustentável. Melhores condições de trabalho para trabalhadores, o acesso à educação, a protecção dos recursos naturais e vida dos animais selvagens são igualmente considerados, tal como a rastreabilidade completa das matérias-primas.

São várias as vantagens  da implementação destes selos e logótipos na indústria alimentar: os produtos ficarão mais apelativos ao olhar sempre atento do consumidor e a “Nossa Casa” ficará com toda a certeza com mais impactos positivos na preservação dos recursos  que nos disponibiliza diariamente!

Joana Duarte

Licenciada em Engª. Química Industrial, Joana Raquel Assis Duarte trabalha, há 16 anos, na Indústria Alimentar: Gestão Operacional de Produto, Planeamento Produção, Controlo de Gestão, Otimização de Processos Produtivos, Logística, Processos de Exportação, Procurement, Compras, Aprovisionamentos e Qualidade e Segurança Alimentar.

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